quarta-feira, outubro 10, 2007

José Bação Leal, ainda...

...poeticamente exausto, verticalmente só... lembro memória dum qualquer verão em nenhuma parte. Percorro o suor dos mortos. Acabo em cada boca que começa. E como os mortos suaram antes da guitarra de barro! Kid, companheiro antiquíssimo: pergunto: o desespero já foi jovem? Quem doará seu rosto ao trigo da aurora? Quem, quando a areia crescer nos olhos, resolverá a rosa marítima? ESCREVE! Nada sei da mulher que possuiste em casa da Lena. Sei somente das jovens que a cidade digeriu... Sei todas as cidades do nocturno mapa do esquecimento...
P.S.: Sou aspirante. Não me chames alferes. Sim, não me promovas.

ao Francisco
Agosto de 1963
Mafra

(in "Poesias e Cartas", 1971)

1 Comments:

At 12:26 da tarde, Anonymous Anónimo said...

O " poeticamente exausto " é intenso, mas o "verticalmente só" transmite toda a grandeza que só quem recusa com dignidade pode experimentar. Hoje,num tempo de gente prosaicamente exausta e horizontalmente acompanhada, é bom reler José Bação Leal

 

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